O Cultus Deorum: princípios

Ara Pacis Augustae, painel de "Tellus"

Ara Pacis Augustae, painel de “Tellus”, Roma; mármore, séculos 13-9 antes da Era Comum (foto: CenozoicEra, 1995, domínio público).

Mensagem de uma mentora:

“Um princípio do CD [O Cultus Deorum] é a filosofia no sentido dos Deuses, que é decididamente diferente de outras tradições de pensamento religioso. Um preceito da religião Romana é a simplicidade, pragmatismo e relação contratual com os Deuses baseada no princípio de “do ut des,” – “Eu dou para que possas dar.” Proceder de outra forma é eclectismo com sabor Romano; enquanto sacra privata isso é perfeitamente aceitável, mas não enquanto prática da religião Romana. Contas de rosário, adoração de estátuas (não significando estátuas enquanto símbolos em santuários), centros psíquicos/chakras, varinhas, cartas Lemmie, livros de sombras, chamar os quatro ventos ou pontos cardeais por rotina, um panteão misto, indica uma crença religiosa ou tradição que é uma sacra privata sincrética, mas não deve ser referida como Romana. Claro que qualquer pessoa pode chamar a sua sacra privata como bem desejar.

Este grupo conhecido por Cultus Deorum existe para a discussão e ensinamento da Antiga Religião Romana, o que inclui os seus princípios. É acerca de como Os Deuses são reverenciados na tradição do Cultus Deorum. Não como eles são reverenciados na Tradição Helénica, na Tradição Kmética, na Tradição Wiccana, na Tradição Hermética, na Tradição Judaica, na Tradição Zoroastriana, na Tradição Hindu etc. e qualquer membro deste grupo deve esperar que os ensinamentos sejam transmitidos de acordo com a Antiga Religião Romana do Cultus Deorum. Os membros devem esperar ser questionados acerca de uma contribuição que não é do âmbito da nossa Tradição. Isto é importante para reforçar e ensinar os princípios da nossa antiga tradição. Também é importante na assistência a novos Cultores que foram chamado para a Religio pelos Deuses ou Mistérios Romanos, para evitar confusão relativa a filosofias, princípios e rituais do CD. Todas as pessoas são bem-vindas a participar em discussões, independentemente das suas crenças, mas por favor tenham em mente o propósito deste grupo e respeitem-no. Não somos recons [reconstrucionistas], embora alguns possam ser, mas também, alguns podem considerar isso insultuoso. Eu não me refiro a mim mesma como pagã, por muitas razões, mas esse não é o assunto deste texto.

Tal como um grupo Helénico é um santuário para essa tradição, tal como um grupo Politeísta é um santuário para essa tradição, tal como um grupo Cristão é um santuário para essa tradição e assim por diante, o Cultus Deorum é um santuário para os Cultores Romanos tradicionais discutirem as suas crenças, para expressarem as suas visões relativamente à Religião Romana Tradicional, para expressarem as suas divergências, ou o seu desânimo, relativamente ao que é a Religião Romana Tradicional neste, seu santuário. Este é um santuário do qual os Cultores podem esperar instruções Religiosas tradicionais e discussões e a prática correcta de preces, rituais, e sacrifícios. Para participar e fruir de discussões filosóficas, místicas, intelectuais e académicas acerca da natureza do divino, incluindo a relação com os assuntos humanos dos Cultores e o seu lugar na ordem social, de acordo com o CD.

Enquanto Cultores, a Antiga Religião Romana É uma parte do nosso quotidiano. Nós não precisamos de fazer um ritual elaborado para o Deus do Dia, nós temos os nossos patronos, nós temos o nosso fasti que está estruturado em torno das observâncias religiosas que nos guiam. Os nossos Deuses estão presentes em ritual mas também nas nossas portas, nos nossos santuários, nos nossos lararia, nos nossos jardins (que são santuários cultivados), nos nossos ribeiros e outros lugares naturais que também são santuários e/ou altares. Nós oferecemos sacrifícios em libações de comida e bebida à hora das refeições sem grande fanfara, apenas colocando uma pequena porção num prato e ora a pomos de parte, no lararium ou sacrário, ora as oferecemos durante rituais elaborados. Nós vivemos a nossa religião, a nossa tradição. Nós incorporamos os deuses de outros como sempre fizemos desde a antiguidade mas dentro dos princípios e práticas da nossa tradição. Enquanto acreditamos que preces regulamentares como adorações, invocações, evocações, petições, expiações e canções (Carmen) são potentes, também podemos estar certos que “um sacrifício sem preces é tido como inútil e não uma conferência decente com os deuses.” (Plínio o Velho) A acrescentar a isto, é parte do rito Romano incluir uma promessa, um votum ou voto pela concessão de uma petição/pedido.

A Tradição da Religião Romana, o Cultus Deorum, também tem o seu lado místico, das histórias dos Deuses aos seus Mistérios iniciáticos, (ancestrais, arcaicos et imperiais), aos seus cultos místicos e extáticos, aos seus muitos modos de divinação, simpatias, profecias, oráculos, augúrios, astrologia e meditações, aos seus métodos de magia que vão do misticismo ao superstitio, dependendo da filosofia e/ou pensamento político – ou do medo dos seus poderes. E este é apenas um breve sumário do que o rico mundo do Cultus Deorum tem para oferecer. Eu peço-vos que tomem o vosso tempo para aprenderem, colocarem questões, para penetrarem mais profundamente nesta rica tradição religiosa que é tão intrigante e poderosa que foi adoptada por um Imperador Romano e alterada num esforço de controlar o seu poder e o seu povo, mas que ainda consegue irradiar a sua luz através de 17 séculos de supressão, e que ainda inspira os cultores dos nossos dias a permanecerem Deiantiqua sub relligione” Roma (sob a religião da antiga Roma).”

por Jenna Rose (‘Cultus Deorum’ – Julho 2015)

 

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