Correspondências Modernas

Bikini designed by Emilio Pucci, 1955. Emilio Pucci Archive, all rights reserved. 2

Villa Romana del Casale, primeiro quartel do século IV na Sicília, não muito longe da Piazza Armerina. Modelo a usar um biquíni concebido por Emilio Pucci, 1956; fotógrafa Elsa Haertter. Emilio Pucci Archive, todos os direitos reservados.

Reiterando as declarações anteriores:

A Religião Romana Tradicional

“Pode retirar dela o que desejar. Pode acrescentar qualquer coisa que desejar ao seu cultus mas não vamos ensinar isso. Ninguém está a negar permissão a ninguém de fazer o que entender mas nós não ensinamos Japa ou mantra ou feitiços. Pode procurar qualquer comunidade pagã ecléctica que desejar para aprender e discutir o que desejar.

Os Romanos foram tolerantes com outras práticas religiosas também conhecidas por sacra privata conquanto não impedissem ou obstruíssem a sacra publica do Cultus Deorum. A Religião Romana Tradicional de Roma era a sua base. Outros Deuses foram sincretizados ao longo do tempo mas os Dies Consentes permaneceram os mesmos e os Deuses primários e as práticas não se alteraram. Na Antiguidade as práticas era mais semelhantes do que as vastas diferenças que vemos hoje. Esta assimilação ocorreu através de conquista.

Nós não estamos interessados em conquista. É bem-vindo ao nosso lar. Em vez de tentar mudar os nossos hábitos, aprenda com eles. Não entraria numa comunidade Vodoun e insistiria que faria um ritual sem um peristilo porque quer fazê-lo dessa forma. Mas seria convidado a aprender ou sair. Somos Cultores tradicionais e cada um de nós tem o seu cunho pessoal mas também preservamos os princípios básicos já delineados. Por favor, respeite-nos como nós respeitamos a si. Há muito que pode aprender, se der uma oportunidade.”

Jenna Rose Brent

Desfazendo o nó:

Associação com sistemas mágicos

“A filosofia Hermética emerge na Grécia por volta de 500 antes da Era Comum. O Egipto e mais tarde Roma aderiram a ela – os Romanos basicamente devido aos escritos de Platão e Sócrates – muitos estudiosos, filósofos e a elite política de Roma estudaram na Grécia ou foram educados por escravos Gregos e assim aconteceu que Hermes, a filosofia Hermética, a espiritualidade, o misticismo e o conceito de um sistema Hermético se sucederam. Contudo, é sobretudo um sistema Grego que, em algumas tradições, tem uma forte influência do sistema mágico Egípcio.

Quanto aos dias da semana, não eram “adorados” por rotina na Religião Romana – em nenhum período. Porém, havia o aspecto de certos dias serem mais propícios do que outros para pedir favores dos Deuses, um conceito que está no limite entre magia – superstitio na relação mística espiritual com os Deuses Romanos – uma influência dos antepassados Etruscos e mais tarde dos cultos Orientais, embora alguns mistérios tivessem os seus. No entanto, se uma pessoa tinha uma relação com os deuses podia pedir aos seus Patronos independentemente do dia da semana; o fasti, o Feriae, dies festi, que lhe estivesse associado como o dies natalis, Sacra gentilícia, kalends, Ides, Nones etc..

Os rituais dos dias da semana são um conceito relativamente moderno, um conceito oriental mas mesmo no Oriente não é como o conceito de Sanatana dos antigos textos Védicos; embora eles tenham dias auspiciosos para os deuses, eles não adoram os dias da semana ou fazem litanias em cada dia. Tais litanias, meus amigos, são um conceito Cristão que se desenvolveu com o tempo e mesmo esse é um aspecto mais moderno. Um aspecto moderno tornado muito popular nas formas new age das antigas religiões – incluindo a Afrocêntrica – com tempo de sobra. No CD cada Deus teria rituais inteiros no decorrer da cerimónia que inclui a formula básica de um ritual completado com sacrifício. O que é mais importante na Antiga Religião Romana é ter um patrono ou patronos e reverenciá-los regularmente independentemente do dia da semana.

Espiritualmente e misticamente, os acessórios das ferramentas rituais, invocações, cores, pedras, música, libações, oferendas etc. emitem a cadência vibracional que atrai a divindade para o ritual. Não é o dia da semana, a menos que seja uma data específica como aniversário, consagração, ascensão ou morte etc. com o tradicional ritual regulamentar. Dado isto, é perfeitamente aceitável tecer um dia específico numa prática religiosa privada ecléctica, desde que a pessoa perceba o que torna o ritual potente e satisfatório; o que quer dizer que tem de ser feito de forma contínua tendo em atenção a criação do ambiente propício, contracto regulamentar etc. – se não for assim é teatralidade vazia, ou na melhor das hipóteses poesia bonitinha.

Leva muito tempo e entrega manter uma agenda complicada para cada dia da semana de acordo com os ritos da Religio e francamente a maioria não pode fazê-lo, requer muita energia, tempo e dinheiro – no fim trata-se mais de aparências exteriores e programas do que de comunhão com os Deuses. E muitos podem até ganhar a fúria de alguns Deuses se a pessoa falha na manutenção disso. Uma pessoa deve reverenciar os Deuses com qualidade e não quantidade. Um patrono ou três é fazível numa base regular, reverenciar vários Deuses favoritos com um rito e sacrifícios longos e elaborados para cada, trimestral, semianual ou anualmente é o mais apropriado e fazível.”

Jenna Rose Brent

“A religião Romana não aderiu a nenhum sistema de correspondências. De facto, a antiga magia Hermetista, que empregou correspondências, não era consistente. O que encontramos hoje são sistemas modernos que, na melhor das hipóteses, datam do Renascença. Quanto às cores, existiam algumas noções de cores associadas aos planetas. Vénus com verde, do cobre. Apolo ou Sol com ouro. O planeta Marte era com mais frequência relacionado como Hércules, e com a cor vermelha. Luna ou Diana com prata. Júpiter, associado com éter e o céu, com o azul. Preto para Saturno, e cores misturadas para Mercúrio. Estas correspondências de cores são bastante tardias, do Império Oriental, e tiveram uso continuado. Pode ler Ficino para saber mais acerca do uso da cor e dos planetas.

Para além disso, Minerva foi mencionada com olhos verdes, Ceres com cabelo loiro, fitas azuis adornavam os sacrifícios a Neptuno, brancas para Ceres, vermelhas para a Bona Dea, mas estas convenções não eram o mesmo que correspondências. Exemplares encontrados, primeiro da Etrúria e mais tarde por todo o Império Romano, mostram a produção massiva de imagens pintadas de todas as formas, mas apenas o azul, amarelo, vermelho, branco e preto eram usados. Vermelho, azul, e amarelo eram usados alternadamente para o vestuário das figuras. Os Romanos pintavam tudo, mas apenas para decoração, não qualquer sistema de simbolismo ou correspondências mágicas.”

Marco Orazio

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