Palavras cruzadas

Triple Hecate, Roman statue (marble), 3rd century AD, (Antalya Müzesi, Antalya). [photo by Dick Osseman]1

Tripla Hécate, estátua Romana (mármore), século III EC, (Antalya Müzesi, Antalya). [fotografia: Dick Osseman]

Acerca da palavra bruxa ou bruxo, que não equivale à palava Bruxa ou Bruxo, aplicada a um contexto contemporâneo especifico:

Apenas ao dizê-la e escutá-la ninguém consegue perceber a diferença. Em todo o caso, as pessoas que discriminam, condenam, e até matam alegadas bruxas e bruxos, hoje, não querem saber qual é a diferença; seja qual for o termo que signifique o mesmo que bruxa, em diferentes idiomas. Muitas pessoas trabalham, criativamente ou em aconselhamento, com o arquétipo da bruxa ou o arquétipo da mãe ou o arquétipo da deusa (e aqui este é o único que existe – não existe tal coisa como o arquétipo de Vénus ou o de Diana ou o de Juno; que denotam uma falta de compreensão ou uma distorção do que é um arquétipo.) Infelizmente, algumas pessoas inflamam-se, não compreendem, ficam ofendidas, e até se sentem discriminadas, quando alguém simplesmente indica a etimologia da palavra bruxa. Outras esquecem que a Psicologia é acerca de comportamento, não de Espiritualidade. As nossas espiritualidades – e a nossa religiosidade – manifestam-se nos nossos comportamentos e essa é a matéria para a Psicologia, não é a Religião. Da mesma forma, a essência da Literatura é a narrativa, nada mais.

Todas as interpretações e apropriações da palavra bruxa são literárias e usadas no contexto de teorias psicológicas e visões “psicologizadas” da realidade. A Vida e as nossas vidas não são narrativas e, embora contenham histórias, não são histórias. No entanto, muitas “pessoas narrativas”, que vêem as vidas como histórias, usam a palavra bruxa para caracterizar – não para definir – a si mesmas e/ou outras pessoas. Algumas pessoas perdem o contacto com a realidade, de forma voluntaria ou acidental. É o seu problema ou a sua redenção. Contudo, isto não altera o significado da palavra bruxa, os factos históricos e as imagens que ela evoca, quer gostem ou não, quer isso encaixe nas suas histórias – e nas suas espiritualidades, em particular – ou não.

Uma explicação semelhante aplica-se à palavra pagã ou pagão, que não equivale à palavra Pagã ou Pagão, como é aplicada num contexto contemporâneo específico. Mais uma vez, apenas ao dizê-la e escutá-la ninguém consegue perceber a diferença.

 

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