Uma Romana “vecchio stile”

“Anna du Pire como Granida”; Bartholomeus van der Helst, óleo sobre tela, 70 x 58,5 cm, 1660, Galeria Nacional de Praga (Národní galerie v Praze).

“Anna du Pire como Granida”; Bartholomeus van der Helst, óleo sobre tela, 70 x 58,5 cm, 1660, Galeria Nacional de Praga (Národní galerie v Praze).

A cada Anno, a Anna de sempre.

É em Março que começa o ano e este é o MMDCCLXIX. A coincidir com as calendas de Martius, a Matronalia, em honra de Juno Lucina, protectora das mulheres, das crianças, e dos nascimentos, dá o mote dos inícios. Nos idos, no dia 15, de acordo com a primeira lua do antigo calendário lunar Romano, celebra-se a divindade ancestral que está relacionada com o desdobramento do ano, no seu fim e início.

A festa descrita por Ovídio é alegre, porque assinala a chegada da Primavera. A plebe é convocada para os bosques, na Via Flaminia, perto do Tibre. Cada homem deve beber tantas taças de vinho quantos os anos que quer viver. Sem dúvida, um evento popular. Não se poupa nas teatralidades e declamações, acompanhadas de gestos ágeis. O vinho corre como o rio, a comida é boa e o ambiente convida à lascívia, durante as festividades. Porque, afinal, a divindade é das mais antigas do panteão e evoca o abandono da rigidez moral e o gozo da vida, em todos os aspectos mais imediatos.

Dumezil associou-a ao ciclo anual da lua e das estações, um ser duradouro mas em movimento, devido à passagem do tempo. Ao que tudo indica, é originária da Etrúria e é comparável à Deusa provedora indiana Anna Purna (Annapurna).

Anna Perenna, mulher madura que sustém o povo com pão, mesmo durante a escassez, é misteriosa e propicia os actos de magia. Assim comprovam os vestígios de rituais e defixiones achados na fonte com o seu nome, encontrada em 1999, durante as escavações para a construção de um parque de estacionamento subterrâneo, na esquina da Piazza Euclide e Via G. Dal Monte, no bairro de Parioli, no norte de Roma. O estudo dos cultos a Anna Perenna, tanto na Itália Central, em Roma, como em Buscemi, na Sicília, permite um entendimento mais abrangente da relação dos cultores com a religio. Graças a Ela, o mágico encontra o religioso e os limites revelam-se aparentes.

Bons augúrios e um feliz 69! 2769.

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