Apelo do sangue

20160605_154056a

Estelas funerárias da Gallaecia; Museu Nacional de Arqueologia (Fotografia: Divina Mens)

No passado mês de Junho, tive a oportunidade de visitar a maravilhosa exposição temporária Lusitania Romana – Origem de dois povos | Origen de dos Pueblos, no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa. Em complemento, ao fim de mais de uma década, revisitei a exposição ainda patente, Loquuntor saxa – Religiões da Lusitânia (de 27 Junho de 2002 a 30 Dezembro de 2016). Gostaria de destacar duas estelas funerárias porque, de facto, como diz a expressão latina, “as pedras falam”. Eu fui atraída para elas e reconheci-as de imediato como sendo parte do meu legado mais directo. O instinto que veio das entranhas foi tão forte que tive de ir verificar o índice da exposição, para saber mais acerca da sua origem.

Apesar de eu ser moderada no que diz respeito a questões de Ancestralidade e de sangue, sei por experiência que a consanguinidade, com tudo o que ela significa, tem a sua força e não deve ser subestimada. Reconheço um RUGIDO poderoso e inequívoco quando sou confrontada com elementos da minha Herança Cultural e Religiosa (politeísta). Por isso, sei que existe mais para além de “cultura”. Um vínculo que é intrínseco e suficintemente potente para me tirar o fôlego, agitar as células e elevar a temperatura corporal. É simplesmente primordial. Claro que, desde tenra idade, estou bem familiarizada com o estilo destas peças, devido ao estudo de História da Arte, à minha experiência e conexão profunda com os locais mais ancestrais do Concelho de Montalegre, no Distrito de Vila Real de Trás-os-Montes, com a cidade de Chaves ou a Aquae Flaviae Romana, os monumentos megalíticos do Concelho de Vila Pouca de Aguiar, e com a cultura castreja do Norte de Portugal.

À direita na imagem, a primeira estela que captou o meu olhar:

II – III C.E. Estela de Reburrinhos Stele of Reburrinhos Regueiro dos Mouros, Paroselos Montalegre, Vila Real. Museu Nacional de Arqueologia (E. 5205 = N.º 994.44.1)

«Consagrado aos Deuses Manes. A Reburrinhos (…).»

À esquerda na imagem:

I C.E. Monumento funerário de Peicana, filha de Pintamus, Sá Felgueiras, Porto. Museu da Sociedade Martins Sarmento (Cat. 74)

«Iulia, filha de Pintamus, a Peicana, filha de Pintamus, sua avó, após a morte (desta).»

Anúncios