Avalon e as sombras de Marion

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Exemplar autografado por Marion Zimmer Bradley do seu best-seller “The Mists of Avalon”; Alfred A. Knopf, New York, 1982

Neste momento, estou num hiato de duas semanas entre retiros que, de uma forma ou de outra, nos convidam a revisitar as sombras do Sagrado Feminino.

No passado domingo, durante uma deliciosa refeição na companhia da tripulação e dos restantes passageiros que viajaram na Shamanic Airlines, veio à baila o assunto das sacerdotisas, do marketing associado à chancela de ‘Avalon’, da minha experiência pessoal de quase vinte anos com o universo de Glastonbury, e do nome de Marion Zimmer Bradley. Quando eu referi o escândalo de alegada pedofilia que envolve a escritora e que fez correr muita tinta virtual em 2014, sobretudo nos blogs e média internacionais, algumas pessoas atentas, cultas e informadas que estavam à mesa sofreram um choque. Na verdade, ficaram espantadas que tal notícia tivesse escapado ao seu radar. Portanto, é um facto que é preciso continuar a comentar o assunto, sobretudo em português, uma vez que eu não me lembro de ter lido sequer uma pequena nota no nosso idioma acerca disto, muito menos da parte de quem costuma invocar a escritora ou daqueles que agora detêm os direitos de publicação da sua obra no nosso país. Entretanto, o nome de Marion Zimmer Bradley continua a ser mencionado, sem que seja feito nenhum reparo referente aos factos chocantes.

Se é errado descartar a autora e o seu incontornável best-seller de uma forma hipócrita, é ainda pior continuar a usar o seu nome e o poder que os seus livros ainda têm sobre um público fantasioso e largamente desinformado, ao mesmo tempo que se faz uma espécie de acordo tácito a favor de um pacto de silêncio acerca das fortes alegações que foram feitas. Porém, agora estou em crer que muitas pessoas – sobretudo mulheres inevitavelmente inspiradas por aquele e outros best-sellers com a chancela ‘Avalon’ – permanecem vítimas do seu próprio desconhecimento, ou mesmo na conveniente incerteza de que isto não seja apenas um boato mal-intencionado lançado ao mundo por uma perturbada, traumatizada ou até vingativa Moira Greyland, em relação à sua própria mãe, a autora de “As Brumas de Avalon”, que em inglês tem o sonante título “The Mists of Avalon”:

 

“Olá Deirdre.

É muito pior do que isso.

A primeira vez que ela me molestou, eu tinha três anos. A última vez, eu tinha doze anos, e estava capaz de seguir o meu caminho.

Eu pus o Walter na cadeia por molestar um menino. Eu tinha tentado intervir quando ele tinha 13, dizendo à mãe e à Lisa, e elas apenas o afastaram para o apartamento dele.

Eu estava a viver parcialmente em sofás, desde os meus dez anos de idade por causa das drogas sem controle, das orgias e do constante fluxo de pessoas que entravam e saiam da nossa “casa” de família.

Nada disto devia ser uma novidade. O Walter era um violador em série com muitas, muitas, muitas vítimas (eu mencionei 22 aos polícias) mas a Marion era muito, mas muito pior. Ela era cruel e violenta, bem como completamente louca sexualmente. Eu não sou a sua única vítima, nem as raparigas foram as suas únicas vítimas.

Quem me dera ter melhores notícias.”

Moira Greyland

 

Ora, o melindre que estas acusações de pedofilia causaram foi agravado pelo facto de estarmos perante uma escritora com um tom francamente feminista, ou como prefiro dizer “anti-masculino”, que relega os homens, esses fracos, carentes e emasculados irmãozinhos mais novos, para um plano meramente secundário, que em nada pode competir com a superioridade das mulheres que os manipulam a seu bel-prazer. Talvez, uma metáfora para o que aconteceu aos meninos sexualmente abusados, alegadamente, tanto por Marion como pelo seu marido Walter Breen. Não, o nosso choque não tem a mesma dimensão daquele que sofremos quando descobrimos que outros autores e figuras proeminentes eram pedófilos que até escreviam sobre fadas e mundos de encantar. Porque esses eram homens e, infelizmente, quase todas as notícias de pedofilia nos forçam a encarar essa triste realidade no masculino. O problema é que este golpe surgiu de onde menos esperávamos, no feminino, e é por isso que parece doer mais. E o pior é que a acusada morreu e com ela a possibilidade de se fazer justiça, em relação ao que terá realmente acontecido.

Eu não convivo bem com o número de pessoas que agora dizem coisas como; “Eu sempre senti algo escuro / pesado / errado enquanto lia os livros dela.” ou “Eu mal consegui acabar de os ler!” ou “Nunca me passou pela cabeça comprar os livros dela!” Francamente, que pessoas tão sensíveis! Será por isso que um segredo tão horrível ficou escondido durante tantos anos? Assim que tudo veio finalmente a lume, as manifestações de incredulidade, indignação e profunda tristeza sucederam-se:

“Eu estou a ficar muito irritada. Não porque outro pedófilo foi exposto, mas porque ela e os abusos do seu marido estão a ser associados ao Paganismo. Vamos lá dar mais uma pedra à direita religiosa, para que eles a possam atirar a nós!

Não, eu não sou uma fã da Bradley e nunca fui. Tentei ler as Brumas e dei por mim a sentir raiva, apenas porque havia algo que fez disparar o meu alarme, e agora eu sei porquê.

Eu sou Pagã e tenho sido há quase 50 anos. Eu aprendi acerca das minhas práticas e crenças através de professores e não de livros. Eu não fui atraída para o Paganismo por causa de algo que alguém escreveu, mas porque sabia que era onde eu pertencia, desde muito jovem. Dito isto, não, eu não estou a criticar ninguém que tenha sido atraído para o caminho Pagão porque leu algo que o despertou para um lado seu com o qual tinha de se conectar. Encontrar o seu caminho é sempre pessoal.

O que eu estou a tentar dizer é que este assunto cria ligações perigosas. Ele permite que a direita religiosa aponte o dedo aos Pagãos e diga que somos os monstros que sempre nos acusaram de ser. Sim, a Bradley e o seu marido precisam de ser vistos como as pessoas doentes que eram e condenados pela dor que infligiram às vítimas dos seus abusos. Ela usou a sua fama para ganhar acesso às crianças e isso é uma coisa horrível, mas como todos os pedófilos ela usou o que tinha para conseguir o que queria.

Eu vivi por 10 anos em abuso sexual e muitos mais anos de abuso físico e mental. O meu agressor era católico, mas isso não faz de todos os católicos abusadores. Assim como Bradley, sendo uma agressora e Pagã não faz de todos os Pagãos abusadores, mas devido ao facto de ela ter sido um ícone para muitos Pagãos, ao discutirmos que ela foi descoberta como sendo um pedófilo estamos a formar um link que não precisamos nem queremos.”

Kathy Krauss O’Leary

 

“Para seu governo, fui eu quem expôs a história de Moira, e eu sou Pagã.

Existem várias narrativas possíveis e eu não podia impedir as pessoas de pensarem, mas isso não era razão para impedir que a história fosse contada.

Já agora, está preocupada com aquilo que o Paganismo PARECE?

Umm, por que não se preocupa antes com o estado de Moira e do irmão dela?”

Deirdre Saoirse Moen

 

“Eu não ligava nenhuma ao livro e não idolatrava a MZB, por isso eu não tenho o sentimento de perda e traição que muitos amantes do livro parecem estar a expressar. O que eu estou é triste. Porque, apesar de todas as nossas grandes intenções, dos altos ideais espirituais e sociais, ainda somos apenas pessoas – com tudo de bom, mau e feio de qualquer outra comunidade. A minha desilusão vem do fim da suposição ingénua de que este tipo de coisa não poderia acontecer aqui, connosco, na nossa comunidade. Nós somos melhor do que isto, não somos? Aparentemente não e isso é triste.

Eu olhava para os abusos e a hipocrisia das comunidades Católica, Batista e outras e sentia-me grata por este “tipo de coisa” não acontecer na nossa comunidade, porque eu acreditava que cuidamos uns dos outros e nos regemos por um padrão mais elevado. Muitas pessoas dizem o que fazem e agora está claro como a luz do dia que alguns de nós não fazem o que dizem. E isso deixa-me profundamente triste.

Claro, todos nós somos seres humanos imperfeitos, mas mesmo assim eu costumava acreditar que somos um grupo de indivíduos que tinha mais do que uma parcela de autoconsciência. Parecia que todos a quem já acudi, não importa o quão casualmente, acabariam por dar a volta e que iriarmos discutir as questões que cada um tem. Mas uma coisa é ter alguns problemas, outra bem diferente é ser um predador numa comunidade que tem sido tão aberta e crédula. Faz-me perguntar quantos mais de nós terão cometido crimes hediondos contra os mais vulneráveis da nossa comunidade.

Muitas pessoas deixam o mainstream, as religiões patriarcais, e encontrar-nos e acreditam que somos melhores, mais esclarecidos, mais confiável do que o que eles deixaram. Eles acreditam que somos uma comunidade onde podem ser livres para serem vulneráveis, onde podem crescer e curar-se. A nossa comunidade não tem o tipo de marcadores que as religiões patriarcais têm, que facilitam uma cultura de abuso e silêncio e, no entanto, lá está. Acho que é hora de limpar o orvalho dos meus óculos e perceber que somos apenas como todos os outros. E isso deixa-me triste. ”

Zanna Russell

 

Já lá vai o tempo em que os livros eram lançados à fogueira e eu, que sempre estive ligada ao mundo do Livro e sei em primeira mão o quão importante a obra de Zimmer Bradley é para o volume de vendas das editoras que em cada país detêm os direitos de publicação, defendo que todos os livros devem ser preservados, ainda que o seu conteúdo possa ser nefasto e que os seus autores tenham sido pessoas execráveis. Ainda que seja humanamente difícil, acredito que é possível discernir entre a obra e a mão que segura a pena ou clica no teclado. Não seria a favor da interdição de nenhuma obra, muito menos de romances que, apesar de qualquer negrume inerente ao enredo e às personagens, não são perniciosos. Muitos de nós que os lemos, fizemo-lo em tenra idade e sobrevivemos, por vezes, a múltiplas releituras. Conquanto tenhamos tido o privilégio de aceder a obras Arturianas, de Ficção e outras, relativas ao imaginário de Avalon, de qualidade muito superior, ainda assim relembramos esta ou aquela passagem das ‘Brumas’ e voltamos a esfolhear o livro. Muitos leitores viram a série televisiva e têm opiniões acerca de como a obra foi adaptada ao pequeno ecrã, sabendo que provavelmente nunca chegará ao Cinema. Talvez tenhamos pensado em sugeri-lo aos jovens da geração Harry Potter e Eclipse, que se deixaram enredar por outras teias. Entretanto, ficamos na dúvida se será acertado perpetuar a influência de um livro escrito por uma alegada pedófila. Para alguns, não restam dúvidas de qual a decisão a tomar.

Convenhamos que, sem a obra mais conhecida de Marion Zimmer Bradley:

– não existiriam tantas X, Y e Z de Avalon;

– que obras precedentes, de autores como Dion Fortune (“Avalon of the Heart”) e Geoffrey Ashe (“King Arthur’s Avalon – The Story of Glastonbury”), teriam permanecido nas brumas, inacessíveis às massas, relegadas para o plano de obras de culto de uma minoria mais esclarecida;

– que obras posteriores, de autores tão populares como Jean Shinoda Bolen (“Travessia para Avalon”) e Stephen Lawhead (“O Ciclo Pendragon”), talvez não tivessem sido publicadas ou, sequer, escritas da forma como foram, nem alcançado o volume de vendas que se verificou;

– que Glastonbury não seria o que é hoje, uma vez que todos os que de alguma forma interagiram com este contexto e com a chancela de ‘Avalon’, sem excepção, ainda que nunca tenham lido uma linha do que Marion Zimmer Bradley escreveu e se sintam repelidos pelo simples facto de ela ter sido uma máquina de best-sellers ou uma pseudo-Pagã que na verdade nunca renunciou ao Cristianismo e cujas cinzas foram espalhadas pelo Tor (for fuck sake), têm beneficiado, directa ou indirectamente da máquina de marketing gerada pelo fenómeno “The Mists of Avalon” e por muitos outros livros que mencionam a vila.

Congratulo Sorita D’Este, por ter sido uma das poucas pessoas em Glastonbury que se manifestaram publicamente acerca das acusações, lamentando “Mists of Avalon…oh oh dear”, “Mists of Avalon will never mean the same thing again.” Também Danu Forest dirigiu palavras de pesar e advertência a todos os que criaram uma “religião” a partir dos livros da autora. Os silêncios mais gritantes vieram mesmo daquelas pessoas que escolheram plasmar imagens inspiradas pelo livro nas pinturas ornamentais da casa que alberga o Glastonbury Goddess Temple, que sempre se apresentaram como uma transposição da “irmandade de sacerdotisas da Deusa e de Avalon” para a realidade dos dias de hoje, e que devem muita da sua popularidade ao sucesso da obra de Zimmer Bradley.

A título pessoal, em Junho de 2014, desde que tomei conhecimento da primeira troca de correspondência entre Moira e Deirdre Saoirse Moen, no meio bloguista, ainda antes de o assunto ter chegado a jornais como o The Guardian e o Washington Post, eu partilhei com os mais próximos a depravação que estava a emergir, de dia para dia. Porque a minha vida também foi tocada pelas ‘Mists’ e não teria tomado o mesmo rumo:

– se aos treze anos, após ter lido “A Casa da Floresta”, eu não tivesse pegado no primeiro de quatro volumes da edição portuguesa de “As Brumas de Avalon”, que algumas colegas de escola e várias mulheres que eu conhecia tinham lido e elogiado;

– se aos dezasseis anos, depois de devorar mais livros semelhantes e outros acerca de “passagens” para Avalon e muito mais, eu não tivesse descoberto que no mundo real, na ilha que sempre me fascinou, existe – mesmo – uma vila chamada Glastonbury. Um local onde foi criado um “espelho do Cálice” e preservado um poço sagrado, no meio de um jardim que pode ser visitado. Onde, ó delícia das delícias, existe mesmo uma estranha colina labiríntica (e não em espiral) que é o famoso Tor, bem como várias outras colinas mencionadas no romance de Zimmer Bradley (que afinal não é lá muito original). Vila essa onde até havia uma University of Avalon, que entretanto mudou de nome para se tornar Isle of Avalon Foundation. O mesmo local onde mora uma mulher chamada Kathy Jones, que nos finais dos anos noventa apareceu no Travel Channel a contar que sobreviveu a um cancro da mama graças à Senhora de Avalon e às águas ferruginosas da Nascente Vermelha. A mesma mulher que desenvolveu pela primeira vez a ideia romanceada por Zimmer Bradley de uma irmandade de sacerdotisas da Deusa e de Avalon, que encontrou receptividade em imensas mulheres, por todo o mundo. As mesmas que muitas vezes se esquecem que ninguém precisa da permissão de ninguém para fundar templos a qualquer divindade, porque ninguém detém direitos particulares em relação ao conceito de templo, de sacerdotisas da Deusa, nem de Avalon;

– se aos dezanove anos, em 1999, eu não tivesse enviado um fax para o escritório da Sacred Journeys for Women, na California, a pedir informações sobre a Mists of Avalon Pilgrimage;

– se aos vinte e um, depois de adiar por um ano a minha viagem, eu não tivesse finalmente ido ao encontro de uma ‘irmandade’ livre e muito especial que não pediu licença a ninguém para se chamar Sheela-na-Gig Sisterhood;

– se aos vinte e muitos, depois de perceber de que é feito o “Reino Unido” e aberto os olhos para questões como a Apropriação Cultural, eu não tivesse aprendido muito mais acerca de Glastonbury e da razão histórica porque se diz que esse é o local que mais se relaciona com Avalon, da qual tanto se fala sem nada se saber a respeito da origem francesa do nome e das fontes históricas onde a associação da mítica ilha com Glastonbury foi feita pela primeira vez, com recurso a argumentos linguísticos e outros detalhes circunstanciais, para servir interesses económicos que ainda hoje existem.

Eu poderia abster-me de abordar estes assuntos outra vez, depois de os ter mencionado brevemente em “Girl talk para todos”, e dizer que Avalon deixou de ser a minha praia, porque segui para outros jardins, mas isso não seria verdade. Com todo o conhecimento de causa, e respeitando quem “chegou” muito depois, esta será sempre a minha praia. Dado o meu percurso, que por muitos anos guardei para o meu círculo mais íntimo, sei que tenho o dever de dizer algumas palavras acerca destes factos, especialmente em Portugal, onde quase sempre a maioria “descobre a pólvora depois da guerra”. Eu nunca iria querer passar adiante e esquecer-me de tudo o que li, estudei e vivi graças à palavra escrita de Marion Zimmer Bradley. Sou a favor de que os seus livros continuem disponíveis, mas que sejam citados e vendidos com todas as cartas na mesa, em relação à vida da autora, para que os leitores menos avisados possam decidir lê-los ou não, por este ou aquele motivo.

Quanto à pedofilia e à forma como algumas pessoas repetem que não devemos julgar acções de pessoas de outros tempos e de contextos díspares do nosso, eu discordo. Para dar um exemplo Romano, por mais que eu admire e me apoie nos escritos de Cícero, não ignoro o facto de ele ter manifestado um interesse e saciado o desejo muito particular por meninas pré-adolescentes ou muito jovens e não estou disposta a aceitar que alguém tenha um estatuto especial, apenas porque é uma figura pública, criativa ou excêntrica. O abuso sexual, em particular o de crianças e jovens, é condenável em qualquer época e circunstância.

Como diz Deirdre Saoirse Moen, que se correspondeu com Moira e expôs todos os detalhes com a permissão dela, “não há palavras” para os poemas que se seguem. O primeiro foi escrito logo após a morte de Marion Zimmer Bradley e o segundo veio a público em 2014, o que nos deixa a pensar na quantidade de pessoas bem próximas da escritora, incluindo Diana L. Paxton, que fez o corta-e-cola de todo o material que a autora das ‘Brumas’ deixou escrito, tornando possível o lançamento póstumo de “A Sacerdotiza de Avalon” e “Os Corvos de Avalon”, que sem surpresa também foram best-sellers durante a primeira década deste milénio.

Mother’s Hands

© 2000 Moira Stern (Moira Greyland) in “honor” of my mother, Marion Zimmer Bradley

 

I lost my mother late last year

Her epitaph I’m writing here

Of all the things I should hold dear

Remember Mother’s hands

 

Hands to strangle, hands to crush

Hands to make her children blush

Hands to batter, hands to choke

Make me scared of other folk

 

But ashes for me, and dust to dust

If I can’t even trust

Mother’s hands.

 

They sent me sprawling across a room

The bathtub nearly spelled my doom

Explaining my persistent gloom

Remember Mother’s hands.

 

And hands that touched me way down there

I still pretend that I don’t care

Hands that ripped my soul apart

My healing goes in stop and start

 

Never a mark did she leave on me

No concrete proof of cruelty

But a cross-shaped scar I can barely see

The knife in Mother’s hands.

 

So Mother’s day it comes and goes

No Hallmark pretense, deep red rose

Except blood-red with her actions goes

It drips off Mother’s hands.

 

The worst of all my mother did

Was evil to a little kid

The mother cat she stoned to death

She told to me with even breath

 

And no remorse was ever seen

Reality was in between

Her books, her world, that was her life

The rest of us a source of strife.

 

She told me that I was not real

So how could she think I would feel

But how could she look in my eyes

And not feel anguish at my cries?

 

And so I give you Mother’s hands

Two evil, base, corrupted hands

And lest her memory forget

I’m still afraid of getting wet.

 

The bathtub scene makes me see red

With water closing over my head

No little girl should fear to die

Her mother’s fury in her eye!

 

But both her hands were choking me

And underwater again I’d be

I think she liked her little game

But I will never be the same

 

I’m still the girl who quakes within

And tries to rip off all her skin

I’m scared of water, scared of the dark

My mother’s vicious, brutal mark.

 

In self-admiring tones she told

Of self restraint in a story old.

For twice near death she’d beaten me,

And now she wants my sympathy.

 

I’ve gone along for quite awhile,

Never meant to make you smile

But here and now I make my stand

I really hate my mother’s hands.

They Did Their Best

By Moira Greyland

 

The cry of our day is to smile as we say

Something pat that sounds like understanding

And those of us left who still cry when bereft

Risk guilt trips upon our heads landing

 

Something pat that sounds like understanding

So the ones of us left Who still cry when bereft

Risk guilt trips upon our heads landing

 

For the party line now Is to claim that somehow

Everybody somehow did their best

So the ones who did wrong Goes the new New Age song

Aren’t to blame, we should lay this to rest.

 

But it’s lies, there are villains who are still out there killing

Or else for our courts there’s no need

Our jails are not filled With innocents willed

By a system corrupted with greed.

 

My mother did her best, yes she really did her best

To drown me for not being her willing lover

My daddy did his best, oh he really did his best

And forced his preteen boyfriends to bend over.

 

Some people are sick, like to make people suffer

Some people just turn a blind eye

But pretending a monster is ribbons and lace

May condemn a small child to die.

 

My husband was a cop and much child abuse had stopped

Like the mom who put her baby on the stove

She threw him out of sight but the smell she couldn’t hide

And she didn’t come out smelling like a rose.

 

Did that mommy do her best? Would you tell that little one

“Forgive her dear, she must have been insane”

Would you tell that to those burns, To that lie will you return

And hurt those shining eyes so full of pain?

 

A victim does his best, a victim does her best

To love and live and give up grief and malice

But when we had no love, but what came down from

Above It’s surprising we have not become more callous.

 

And how to learn to cope And not give up all my hope

Is painful far enough without your lies

But if you had seen me then With blood pouring off my skin

Would you have turned a deaf ear to my cries??

 

And told me “Mommy did her best, yes, she really did her best

So stop crying and stop bleeding and forgive her

To cut you she’s the right, and to throw you out of sight

And not love you till you sexually deliver!!

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