Um recado

“Purim at Mea Shearim, Jerusalem, Israel” (Fotografia: Frederic Brenner)

Cada celebração traz oportunidades de purificação, reflexão e entendimento. O mês que precede o novo ano sacro é um tempo de conexão com os antepassados, dos familiares aos mais ancestrais. Para mim, a Parentália foi profundamente reveladora e permitiu-me aferir alguns pontos de vista, estudar, e descartar alguns preconceitos. Não mais usarei a datação ab urbe condita (ou seja, ‘desde a fundação da cidade’ de Roma), sabendo como é errónea e que no passado foi usada para fins propagandistas. Se alguém espera encontrar aqui uma grande admiradora do Império Romano vai ficar desapontado. Sou apenas uma politeísta e uma cultrix, no sentido Romano do termo. Tenho em conta a necessidade de honrar as minhas origens, não apenas através dos rituais, mas da minha conduta e de uma tomada de posição em situações que não devem passar despercebidas a ninguém.

Isto não é de agora, mas têm vindo a aumentar as manifestações de antissemitismo e não posso ficar indiferente à paranóia das Nações Unidas em relação a Israel, que é evidente em vários planos, desde o Conselho dos Direitos Humanos à UNESCO, a par de incongruências que me fazem temer pelo futuro, a muito curto prazo. Que Anna Perenna não nos falhe e que os ciclos sejam benéficos. Também no âmbito dos eventos feministas dos últimos meses, temos assistido à ingerência de propagandistas e até de uma terrorista condenada que procura legitimar a sua presença ilegal nos Estados Unidos da América, manipulando a opinião pública menos atenta ou apenas mais inclusiva e predisposta ao ódio pelos Judeus. Chegámos ao ponto em que uma dessas mulheres vociferou acerca de quem, segundo ela, pode e não pode ser considerado feminista!

Fica apenas uma nota a alertar para a necessidade de, tanto quanto possível, conhecermos a História e não permitirmos que os piores momentos, a começar pelos horrores que a Roma Antiga e a Igreja Católica trazem à nossa memória colectiva, sejam reescritos, reabilitados, e repetidos sob outras aparências e com novos requintes de malvadez.

 

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